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Quarta-feira, Julho 24, 2024

Doadora de medula óssea é homenageada no próprio casamento por paciente que recebeu doação dela

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A “emoção gigantesca” como ela própria descreveu ocorreu em Cascavel, no oeste do Paraná. O cerimonialista realizava a celebração quando leu o seguinte trecho:

“A exemplo de Cristo, Daniela entregou um pouco de si pra gerar vida em outra pessoa, por isso em agradecimento, recebemos as flores conduzidas por aquela que recebeu a medula, Andreia Ferreira”, disse o cerimonialista do casamento de Daniela.

Não teve jeito, a emoção tomou conta de todos os presentes.

“Eu não consigo descrever tudo isso, foi uma emoção gigantesca mesmo, de ver ela pessoalmente, de tocar ela e pensar ‘gente, essa pessoa foi salva por uma atitude minha’. […] A Andreia já fazia parte da nossa família desde a 1ª ligação do Redome”, afirmou emocionada Daniela.

Como tudo aconteceu

Daniela conta que está cadastrada como doadora de medula óssea desde 2013, quando esteve no Redome pela primeira vez com a mãe.

“Ela foi fazer uma doação de sangue e a atendente me pediu para doador sangue também e minha mãe autorizou, como era menor de idade tinha que ter a autorização dos pais ou responsáveis, eu fiz a doação e lá mesmo a gente já fez o cadastro no Redome”, explicou a social media.

A chance de encontrar um doador compatível é de uma em cada 100 mil. É através Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) – sistema que cruza dados de voluntários para doação e de pacientes que precisam receber medula óssea – que essa compatibilidade é medida.

No Paraná, são 570 mil cadastros e cerca de 650 pessoas que buscam por um doador compatível.

Cadastrada há alguns anos, Daniela pensou que dificilmente teria alguém que fosse compatível com ela para receber a doação.

Até que em abril de 2021 ela recebeu uma ligação para informar que ele era uma possível doadora para paciente. Depois, com um exame foi constatado que ela era 100% compatível com a paciente que estava precisando do transplante.

Em dezembro do mesmo ano, ela conseguiu doar a medula. Para isso, passou sete dias em um hospital de Curitiba.

A 680 quilômetros de distância da capital paranaense estava Andreia, moradora de Zacarias, São Paulo e desde 2017, lutando contra uma leucemia na células do sangue.

“Eu sentia muita dor nos ossos, tinha muita fraqueza e era muito sangue, eu menstruava muito e ai precisava tomar sangue. […] Eu cheguei na consulta e as medicas falaram que todos os tratamentos que o governo oferecia, fizeram e que não tinha mais tratamento e que eu deveria ir para a fila de transplante”.

Para receber o transplante, o paciente é submetido a um tratamento que ataca as células doentes do sangue e destrói a própria medula óssea. A parte mais difícil é repor essa medula, já que é preciso de doador compatível.

É uma corrida contra o tempo, corrida esta que a Andreia conseguiu vencer. O transplante dela foi no dia sete de dezembro de 2021.

Um ano depois, ainda no anonimato, Daniela mandou uma carta para a Andreia.

‘’Olá, confesso que é um pouco estranho escrever uma carta com tanta emoção, carinho e felicidade e ainda não saber seu nome e não te conhecer. Quero te dizer que viver esse momento como doadora foi a melhor experiencia da minha vida’’, dizia trecho da carta.

E depois de mais alguns meses, as duas se falaram pela primeira vez por mensagem de celular. O sigilo entre quem doou e quem recebeu uma medula óssea é uma regra do Redome, que só autoriza a quebra de sigilo após um ano e seis meses do transplante.

Durante essas conversas, o combinado era uma chamada de vídeo, para que as duas se conhecessem melhor. Só que Daniela estava na correria para organizar o próprio casamento e por mais inacreditável que seja, isso não aconteceu.

O noivo de Daniela, Rafael Meira Ribeiro, que sabia dessa vontade dela de conhecer Andreia, preparou a surpresa do encontro entre as duas no casamento.

“Me senti muito feliz. Tudo que estava acontecendo, o casamento e por fazer ela feliz, saber o quanto ela queria (encontrar a Andrea). Era amor de tudo, com a vida dos outros, com a gente”, afirmou Rafael.

E foi assim que o desconhecido ganhou forma, cor e emoção. Um gesto voluntário de amor de dez anos atrás, que se transformou em um lindo recomeço de vida.

“Hoje eu não estaria aqui. Não estaria, para ver a importância que tem um transplante, é muito importante. Eu não estaria aqui”, afirmou emocionada Andreia.

Fonte: g1.globo.com

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